ÁREA DO ASSOCIADO

15/02/2016

INFLAÇÃO CONTINUA ACELERANDO EM JANEIRO



De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de 
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – a medida oficial da inflação – apresentou alta de 
1,27% em janeiro, ante 0,96% e 1,24% registrados em dezembro e no mesmo mês de 
2015, respectivamente. É a maior taxa mensal para janeiro desde 2003, surpreendendo 
a maioria dos analistas de mercado, que prognosticavam uma menor elevação de 
preços. 
Em termos anuais, levando-se em consideração a variação acumulada nos 12 
meses terminado em janeiro o aumento de preços chegou a 10,71%, levemente superior 
ao resultado anual de 2015, que alcançou 10,67% (Tabela 1), afastando-se, portanto, 
ainda mais do limite máximo de tolerância da meta anual de inflação (6,5%), perseguida 
pelo Banco Central. 

                             

Fonte: Elaboração IEGV/ACSP a partir de dados IBGE/FGV.

 

 

Os “vilões” da alta do IPCA no primeiro mês do ano, que em forma conjunta 
contribuíram para 71% do resultado, foram os alimentos e bebidas, cujo aumento de 
preços correspondeu a 2,28%, com destaque para os “horti-fruti” (cenoura, tomate, 

cebola e batata), e o grupo transportes, com alta de 1,77%. No primeiro caso, as causas 
foram a depreciação do Real, que encarece adubos e fertilizantes e eleva a oferta de 
produtos agropecuários para o exterior, além do clima chuvoso ou seco, dependendo 
da região considerada. No caso dos transportes, contribuíram a elevação das tarifas de 
ônibus, metrô e trens urbanos, somados com os aumentos de combustível e pedágios.   
Também houve aceleração da inflação, de acordo com o Índice Geral de Preços 
– Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que 
avançou para 1,53%, após subir 0,44% no mês anterior, intensificando a alta de preços 
em 12 meses, que passou de 10,7% em dezembro para 11,65% em janeiro. A disparada 
do preço do dólar em janeiro, que ultrapassou a “barreira” dos R$ 4,00, devido a fatores 
internos e externos, gerou pressões sobre os custos das matérias primas, 
principalmente no caso das agrícolas (IPA AGRO), fazendo o Índice de Preços ao 
Produtor Amplo (IPA), principal componente do IGP-DI, acelerar em termos anuais entre 
dezembro e janeiro de 11,31% para 12,87%, respectivamente.  
Em síntese, apesar de 2016 se iniciar com inflação ainda mais elevada do que a 
registrada no final do ano passado, a perspectiva é de desaceleração durante os 
próximos meses, principalmente devido à anunciada redução das tarifas elétricas, à 
expectativa de relativa acomodação do câmbio e à descompressão dos preços dos 
serviços, refletindo a queda no consumo provocada pelo cenário recessivo.     

Fonte: Associação Comercial de São Paulo


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